06 setembro 2005

Ordem de trabalhos: as regras, 3 (allegro strepitoso, finale)

















PS – Bom, as regras são estas: cada um traz um objecto qualquer e lê.
ABB – Um objecto qualquer e lê? Que espécie de regra é essa? Então isto não é um clube de leitura? E leitura não vem de letra? E letra não vem de littera?
LQ – E littera vem de onde, ó fundacionalistas etimológicos?
CA – Vem do latim!
FMO – Vem do sânscrito!
OMS – Pergunte ao Heidegger!
MP – Vem das cavernas!
GR – Das cavernas?! Há aqui qualquer coisa que não bate certo!
OMS – Se há!
ABB – Bom, Sr. Serra, estou decepcionado. O Sr. disse que tinha tido uma ideia. Defraudou o público.
PS – Então, o que têm a minhas regras de mal?
CA – O plural é majestático, no mínimo. Só vi uma regra até agora.
ABB – Sabe que não se começa um clube de leitura assim sem mais nem menos. Vejo que nem conhece as regras do Pennac, afinal de contas.
LQ – As regras de quem? A esse tal Pennac só tenho uma coisa a dizer: não se leia, saltem-se páginas, não se acabem os livros, releiam-se, seja lá os que forem, amem-se essas figuras de papel, seja onde for, salte-se de uns para outros, leiam-se em voz alta, recusemo-nos a dizer seja o que for acerca deles, rasguem-se páginas, esventrem-se lombadas, cuspa-se para o chão…
FMO – Cuspa-se para o chão?!
GR – Penduremo-nos nas cortinas!
LQ – O que é que está a insinuar?
CA – Calma, calma. Estamos a chegar a um consenso. Não deitem tudo a perder!
FMO – Acabe-se com a moral da leitura de uma vez por todas…
OMS – Finalmente o Sr. Oliveira lá deu uma para a caixa.
ABB – Para a caixa?
PS – A caixa da leitura.
MP – Então não era das esmolas?
OMS – Poupe-nos, poupe-nos…
GR – Estava-se mesmo a ver como isto ia acabar.
PS – Nem sequer merece o benefício da dúvida!
CA – Sim, até aborrece…
LQ – A terceira lei da termodinâmica!
ABB – É fatal!
FMO – Certo como a morte!
MP – Não olhem para mim.
[Cai o pano]