10 julho 2005

Alvorada desgraciosa*

Firme e inquisitivo:
— Tenho notado grande azáfama por aqui, reuniões e mais reuniões... Alguma coisa que eu deva saber?
— Não me diga que está outra vez com medo de ser despedido...
— É o que imagino que os senhores fazem nessas reuniões, falar de mim. Além disso, tenho-vos visto a ler os editoriais do director do Público, e ando com medo de que vos tenham influenciado.
— Cada uma! Groucho. Lemos aquilo por desfastio, mero exercício para afiar o chiste... Temos que nos contentar com ele, a Maria Filomena Mónica é...
— ...uma madraça, já sei, ouvi comentar: os artigos dela não assistem com a regularidade devida à vossa necessidade de execração...
— Uma lástima, Groucho. É muito desanimador.
— Decerto. Mas eu falava de influência por assim dizer indirecta... Receei que, tendo lido o editorial do director do Público sobre o Ballet Gulbenkian, resolvessem aplicar-me a lógica da respectiva extinção tal como ele a representa.
— E isso seria o quê, Groucho?
— Ora, descobrirem de súbito que há outro Groucho, mais notório do que eu, referência que eu nunca fui nem serei — e extinguirem-me.
— Não está mal visto. Mas engana-se. Andamos apenas a ultimar o regulamento interno. A parte sobre as provas de acesso de novos membros tem sido difícil de acertar.
— Isso é verdade? Regulamento interno? Novos membros? É sério?
— Seriíssimo, Groucho, seriíssimo.
— Então, o caso é mais grave. Concluo que trabalho para um bando de idiotas certificados. Não hão-de descansar enquanto não enxertarem aqui um raminho da obsoleta instituição universitária. Raio de sorte, a minha!
*Aka Early fucking blogs