01 novembro 2005

Importa-se de repetir?

Vasco Pulido Valente, no Público de sexta-feira, último parágrafo, explicando o aparente, e esquisito, triunfo póstumo de Manuel Alegre sobre Mário Soares (e ainda há quem diga, com EPC à cabeça, que o homem não percebe de literatura…):

“Basta que se pense na extraordinária aparição de Alegre, que ninguém, nem o próprio Alegre, consegue explicar. Um homem que na prática acabou em 76 e que as sondagens põem à frente dele? Como? Porquê? Porque Alegre passa por poeta e escreve letras de fados; porque a pose, a ênfase, a mediocridade o fazem popular; porque ele pertence a um universo demótico, a uma ‘praça da canção’, a que Soares não pertence e nunca pertenceu; e, sobretudo, porque uma parte do Partido Socialista e arredores, que detesta Sócrates, prefere perder com a ‘boa imagem’ de apoiante de Alegre a perder com a ‘má imagem’ que lhe daria o candidato oficial e convencional Soares. É o Zeitgeist, que Soares não compreende, nem partilha”.