01 novembro 2005

Diário de uma apoiante de Manuel Alegre à Presidência















Um homem que não se rende! Um homem que resiste, em nome de valores mais altos: a dignidade de cada um e de todos, o direito de homens e mulheres à emancipação pessoal e colectiva, os grandes ideais da esquerda eterna, a da Grande Revolução: Liberdade, Fraternidade, Igualdade.
Um homem que é toda uma história: a da luta pela liberdade no Portugal contemporâneo. Coimbra, a resistência juvenil, a «punição» africana, Nambuangongo (Nambuangongo!), Argel, a França farol da revolução, a luta contra a subversão das liberdades após o 25 de Abril, a generosa e árdua doação cívica por quase 30 anos no Parlamento.
E, claro, a poesia de mão dada com a política, numa aliança «natural». A grande ascendência da poesia trovadoresca, os cantares do rei Dinis, o encontro electivo com Camões, quer na lírica amorosa (e quão erótica, por vezes), quer na reescrita pós-colonial da epopeia, o encontro, na fronteira da morte, com o Antero (tão esquecido…) da Senhora das Tempestades. Para não referir o memorialismo recente, ou os livros de contos – enfim, uma obra tão justamente reconhecida pelos nossos maiores críticos e tão premiada, a que só falta o Prémio Camões que certamente não tardará. Que não pode tardar!
Numa palavra: o Intelectual, essa figura do letrado na sua encarnação pública, figura hoje tão preciosa quanto rara. Como não aderir pois à proposta de um homem cuja candidatura é apresentada como «um gesto poético»? Há quanto tempo deixou a política de poder ser caracterizada, pensada e sonhada como «um gesto poético»? No sentido grego de poiesis, claro: a arte, a poesia enquanto produção, criação de mundos possíveis, mundos da utopia, rostos do Grande Outro resgatados às trevas da vida pobre, danificada e vegetativa que é hoje aquilo que a política enquanto contabilidade nos propõe.
Alegre é outra coisa, é o verbo (poético e político) arrastando atrás de si o mundo em tropel, atemorizando os poderes e as cliques, bradando na praça da canção as palavras, as frases, os versos em que se começa a reconhecer a comunidade por vir da democracia que agora começa a renascer entre nós, quase 30 anos após a extinção da generosa chama de Abril. Alegre é a rosa da democracia, com a inscrição memorial (e pedagógica) da gota de sangue que os espinhos da ditadura historicamente provocaram. Aquela rosa da qual se pode apenas dizer que é uma rosa que é uma rosa que é uma rosa. Nas mãos do poeta-presidente. Nas nossas mãos dele. Sem vampiros que a roubem, por mais que tentem. Porque não passarão!