01 novembro 2005

«Dicionário de Soundbytes», por Groucho

Interactivo/a: 1. A TV é-o cada vez mais, sobretudo no caso da TVI, que deu, também por isso, outro significado à expressão «horário nobre». 2. A política já foi mais, mas o Bloco de Esquerda está a esforçar-se por corrigir isso. 3. Alberto João Jardim, esse, é um verdadeiro paradigma histórico, sobretudo no que toca à relação entre políticos e população por altura das festas populares (o Chão da Lagoa, a passagem de ano, o Carnaval) e política e média. 4. Os blogues são-no muito, à excepção daqueles em que, de forma aberrante, se barra o direito dos leitores a produzirem comentários. 5. O futebol, para o ser verdadeiramente, precisa da criatividade gestual, verbal e coreográfica das claques. Para não falar das intervenções dos dirigentes e dos treinadores. 6. Os tropas estão com muita vontade de o ser, mas o governo não deixa. 7. Já os juízes, fizeram até greve para impedir que os obriguem a cair nisso, que dará cabo do prestígio da magistratura. Se bem que o juiz da Casa Pia (o da t-shirt e da musculação) não tinha nenhum problema em sê-lo, e em directo. 8. Cavaco faz tudo para não o ser, pois é nesse estado ausente e silente que as sondagens o favorecem. 9. Alegre é-o por definição, pois ninguém lhe consegue desligar a pilha vocal. 10. Soares já foi mais, mas continua imbatível e está mesmo a passar à fase cyberpunk ou, pelo menos, a uma versão de «A quinta dimensão». 11. Louçã é muito bom a interagir com Jerónimo de Sousa, tanto mais que ambos se candidatam à presidência apenas para esse efeito.

Internet: 1. A realização do ideal da democracia por vir de Derrida: um universo onde se pode dizer tudo, sem risco de censura (por agora). 2. Infelizmente, e como os marxistas gostam de recordar, é uma democracia que implica o acesso a um terminal de computador e o domínio da infoliteracia, coisas pouco frequentes na África e muitos outros sítios do planeta. 3. Começou por ser uma rede de informações militares do Pentágono e agora serve para atacar o Pentágono, os EUA e o próprio Ocidente, sempre em nome de Deus. 4. Deus, como se sabe, é o nome herdado da antiguidade para a World Wide Web. 5. Um paraíso para pornógrafos e pedófilos, apesar de o sexo virtual ainda estar a dar os seus primeiros passos. 6. Serve para conhecer pessoas, criar relações e desfazer casamentos. 7. Serve para mandar vir gadgets de Sex Shops sem sair de casa ou para enviar postais de aniversário a Osama Bin Laden, lá num terminal numa caverna do Afegasnistão. 8. Foi antecipada por Jorge Luís Borges, que lhe chamou biblioteca, em «A Biblioteca de Babel» e pelo Padre Vieira, que a baptizou Quinto Império, chamando a atenção para o seu carácter de império imaterial.