16 outubro 2005

Problemas do desafio (2)

― Digo já.
― Agradeço.
― Pois bem, o Vasco Pulido Valente desafiou alguém, entre os seus leitores, a criar um semanário que substitua o Expresso.
― Que substitua? Mas…em que sentido?
― Um concorrente. Capaz de destronar o Expresso da posição que ocupa e de lhe roubar o êxito imerecido que continua a ter.
― Mas porquê agora? Por causa da saída do memorável Saraiva?
― Precisamente. Segundo ele, essa saída é um sintoma da decadência do Expresso.
― E vai daí, desafia?
― Nem mais. Depois de dizer que “a oportunidade é agora clara”, pergunta explicitamente: “Quem se arrisca?” Aliás, acaba a crónica com essa pergunta.
― Bem, não há dúvida que se trata de um desafio. A menos que seja uma provocação.
― Garanto-lhe que é um desafio. Ele assegura que o país precisa desse “concorrente sério”.
― Ah bom, se o país precisa…
― Pois. O problema está aí.
― Problema?
― Claro! Quem é que no país está à altura de corresponder àquilo que o Pulido Valente acha que o país precisa? Está a ver o que eu quero dizer com o problema da assimetria do desafio?